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Falta de Vitamina D e a relação com a Diabetes Tipo 1 e 2

A relação entre deficiência de vitamina D e diabetes está provada cientificamente. Neste artigo iremos explicar como funciona exatamente.

A vitamina D é uma vitamina lipossolúvel presente de forma natural em alguns alimentos, como o fígado de alguns peixes gordos e seus óleos e, em menor quantidade, a manteiga e gema de ovo.

Desta forma, apenas 10% da vitamina D do organismo é proveniente da alimentação, sendo a nossa pele a principal fonte de síntese (com a ajuda da interação da luz ultravioleta).

Para garantir a síntese de vitamina D necessária, uma exposição solar breve e casual dos braços é suficiente; e é que não há que esquecer que predomina o efeito nocivo do sol na pele e que devemos nos proteger de seus efeitos com cremes protetores.

Uma vez ingerida ou sintetizada na pele, a vitamina D precisa ser metabolizada principalmente pelo fígado e o rim para obter a sua forma ativa, o que realmente produzirá os inúmeros efeitos que lhe são atribuídos.

Para que serve a vitamina D?

A ação da vitamina D, a mais conhecida é a que desenvolve o metabolismo do cálcio no osso.

Foi associado ao déficit leve moderado deste nutriente com um aumento do risco de osteoporose e um aumento do risco de fraturas.

O raquitismo em crianças e osteomalacia em adultos são as doenças dos ossos mais graves decorrentes de um déficit severo desta vitamina, doenças pouco frequentes na nossa sociedade.

Porém presente ainda em populações com uma exposição solar muito baixo, além de pessoas com ingestão de alimentos fortificados ou naqueles que sofrem de síndrome de mal absorção.

Existem grupos de risco de deficiência de vitamina D: pessoas com mais de 70 anos, em que a síntese de vitamina D na pele não é tão eficaz, as crianças pequenas (por sua pouca exposição solar) ou pessoas com deficiência (pelo mesmo motivo).

Recomenda-se em todos eles tomar alimentos fortificados com vitamina D (pão, cereais e produtos lácteos, principalmente) e suplementos com dose extra destes nutriente para certos casos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece alguns requisitos diários de vitamina D, que oscilam entre os 400 e 800 UI por dia, segundo a idade e grupos de risco.

Mas a vitamina D não só atua a nível do metabolismo do cálcio e dos ossos, mas também regula muitas outras funções celulares (seu receptor está presente em uma infinidade de células de diferentes órgãos) e estima-se que cerca de 3% do genoma humano está sob o controle deste nutriente.

O déficit de vitamina D e sua relação com algumas doenças

  • Foi relacionado a deficiência de vitamina D com uma maior fraqueza muscular e um aumento do risco de quedas. A suplementação este nutriente em pessoas com um déficit moderado tem demonstrado melhorar ambos os parâmetros.
  • Alguns estudos têm associado a deficiência de vitamina D com o aumento de risco de alguns cânceres, como o de cólon. No entanto, não há uma evidência clara e não se demonstrou que o tratamento com este nutriente diminui o risco
  • Está sempre relacionado com o nível de vitamina D com o desenvolvimento de algumas doenças com mecanismo auto-imune, como a diabetes tipo 1, a esclerose múltipla ou a doença inflamatória intestinal. Como acontece em outras doenças, não foi observado que o tratamento com esta vitamina reduz a sua incidência. Também foi observada a relação entre o baixo nível do nutriente e um maior risco de infecções, já que o nutriente tem um efeito no sistema imunológico que favorece o aumento de defesas contra infecções.
  • Existe uma relação entre baixos níveis de vitamina D e o desenvolvimento de hipertensão arterial e doenças cardiovasculares.
  • Um fator determinante a ter em conta quando se realizam estudos com a vitamina D é que o receptor dessa vitamina pode ser de diferentes tipos (polimorfismos genéticos). Assim, considera-se que estas diferenças também podem desempenhar um papel importante na hora de tirar conclusões sobre a relação entre os níveis deste nutriente e o desenvolvimento de várias doenças.

Vitamina D e Diabetes

Existe evidência científica suficiente para relacionar a diabetes tipo 1 e diabetes tipo 2 com a vitamina D.

Dados de estudos epidemiológicos demonstram uma clara correlação entre a deficiência de vitamina D e uma maior prevalência das duas formas de diabetes.

Em troca, os potenciais efeitos benéficos da suplementação com este nutriente para prevenir doenças, como diabetes tipo 1 e diabetes tipo 2 continua sendo motivo de debate.

Propõe-se, em geral, evitar o déficit deste nutriente em pessoas com risco de desenvolver diabetes e aplicar as recomendações internacionais de suplementação desta vitamina.

Qualquer outra recomendação não é baseada em dados científicos.

Diabetes tipo 1

A vitamina D atua como um modulador do sistema imunológico e, por isso, parece desempenhar um papel importante no desenvolvimento de diabetes tipo 1.

Observou-se que o déficit de vitamina D nos primeiros meses de vida em crianças com risco de desenvolver esse tipo de diabetes aumenta a probabilidade de desenvolvê-lo em anos posteriores.

Além disso, sabemos que se trata essas crianças em seus primeiros meses de vida com vitamina D diminui o risco de desenvolver a doença.

Atualmente faltam ensaios clínicos em grande escala e de longa duração que estudam o efeito de determinadas quantidades do nutriente no desenvolvimento de diabetes tipo 1, mas temos dados valiosos de estudos epidemiológicos e pequenos estúdios e isso resultaria.

Diabetes tipo 2

A vitamina D está envolvida em diferentes mecanismos relacionados com o desenvolvimento de diabetes tipo 2, entre eles, a atividade da célula beta e a sensibilidade à insulina.

Os níveis do nutriente são menores em pessoas com obesidade e diabetes tipo 2, mas desconhece-se se existe uma relação causal entre esses fatos.

Em estudos de cortes prospectivas foi observada uma relação inversa entre os níveis de vitamina D e o risco de desenvolver esse tipo de diabetes.

Porém em inúmeros estudos de intervenção não se pôde demonstrar que o tratamento com este nutriente diminui o desenvolvimento desta doença ou melhorar o seu controle.

Também foram relacionados os baixos níveis do nutriente com um aumento do risco de complicações micro e macrovasculares em pessoas com diabetes tipo 2, mas fica por demonstrar uma relação causal.

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